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Um brinde a vida
14 de novembro de 2013

             

              Após três dias de evento empresarial, cansaço, somados à mau estar físicos como dores no estômago, de cabeça e até sono extremo, percebi que tinha chegado ao meu limite. Não porque não aguentava mais fisicamente, porque isso já começara a fazer parte da minha vida cotidiana, porém meu estado emocional parecia ter chegado ao fim.

              Sábado fim de tarde, quando finalmente pude voltar pra casa, para um provável descanso, dei de cara com meu melhor amigo deitado no sofá da minha sala. A casa estava como de praxe uma verdadeira “zona”, já que meu tempo se tornou escasso e a minha inclinação para organização vai exatamente em sua direção oposta. Olhei para meu amigo e pensei: “poxa, eu queria deitar nesse sofá agora”, mas nada falei, porque no fundo sabia que aquela amizade me vale muito mais do que qualquer sofá. Resolvi ir para meu quarto descansar. Em seguida fui ao banheiro e antes mesmo de poder usar o vaso sanitário, minha gata Emily, como de costume, subiu no assento para tomar água da privada. E eu irritada pensei: “eu bem que podia dar a descarga pra ela levar um baita susto e parar com essa mania inapropriada”. Mas contive o meu acesso de maldade.

            Tentei em vão dormir um pouco. Todos os cachorros da vizinhança pareciam ter combinado aquele horário para latirem ao mesmo tempo. Desisti e sai à noite cansada e com dor de garganta, me sentindo realmente desestimulada. Não podia beber e nem me sentia apta a dançar em minha balada preferida. Mas de um jeito ou de outro a noite acabou sendo o que tinha que ser. E bem mais que razoável, eu diria.

            Uma noite bem dormida e eu já estava me sentindo bem afastada da minha linha limite de esgotamento. De novo, meu melhor amigo estava no sofá e desta vez me senti tão feliz em vê-lo ali, que me pesou a consciência por não ter sentido a mesma coisa na noite anterior. E quando vi as marcas das patas da Emily no outro vaso sanitário, esbocei um leve sorriso por sua existência, ainda que me suje todos os assentos dos banheiros da casa.

            Domingo à tarde e mais uma boa hora de sono. Há quanto tempo não tirava um cochilo durante a tarde? Não sei. Tinha agora o sofá só pra mim, no outro estava a Emily dormindo. Liguei a TV e sorri pelo simples fato de que podia assistir o que quisesse, mas logo em seguida desliguei e curti o raro fato de poder não fazer nada. Voltei pra cama.

            Pouco mais tarde tomei banho e saí para uma rara noite de domingo, já que não iria trabalhar na segunda. A alegria era tamanha que ao sair com o carro, estava abrindo uma garrafa de água, quando olhei o céu e me dei conta do quanto tinha mudado de um dia para o outro, pelo simples fato de ter descansado, coloquei a garrafa de água para fora do carro, olhei para o céu e disse: “Um brinde a vida”! Como se brindasse com a vida ou com o próprio Deus.

         Escrevi este pequeno texto num parque, à luz da lua, num domingo despretensioso, mas que deve ter sido um dos melhores da minha vida, porque mesmo em meio à todo stress que vivo atualmente, percebo que aprendi a lidar melhor com ele, não desmerecendo as pessoas à minha volta e usando de medidas mais do que simples para me revigorar: o sono, o sorriso e a certeza de que tudo passa. Se não está bom agora, já já vai estar.

            Um brinde ao sobe e desce da vida! E a todos aqueles que já aprenderem a subir e a descer com ela levando o seu próprio sorriso!

            E a Emily está lá no vaso de novo...

CAROLINA VILA NOVA

ESCRITORA E ROTEIRISTA, de Curitiba.

Contato: focuslife@playtac.com

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